Ferramentas ou apetrechos para obras de decoração

Para poder realizar quaisquer trabalhos de reparação, quer enquanto proprietário quer enquanto arrendatário, é necessário dispor de um conjunto básico de ferramentas organizado de acordo não só com as suas ambições de bricolage, mas também com as suas capacidades.

Preparámos para si uma seleção básica que apresentamos a seguir.
Para utilizações ocasionais é suficiente optar por um nível médio de qualidade. No entanto, quem recorrer às suas ferramentas com maior frequência deverá preferir produtos de marca conhecida. Embora, na sua maioria, sejam mais caras, em compensação duram uma vida inteira. Infelizmente é difícil reconhecer a durabilidade das ferramentas apenas a olho nu. Um técnico experimentado consegue tirar conclusões sobre o nível da qualidade a partir das evidências do acabamento, da precisão dos gumes ou da perfeição das conexões e das articulações, mas não conseguiria determinar o material e a respetiva tenacidade ou durezas em recorrera meios auxiliares.

Alguns fabricantes de ferramentas introduziram um sistema de identificação da qualidade sob a forma de estrelas ou cores, que assinalam desde o nível normal ao profissional, mas também neste caso não é possível determinar os critérios adotados.

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É possível chegar a algumas conclusões sobre a qualidade tomando como ponto de partida o próprio material, como, por exemplo, HSS (aço rápido de alta qualidade) nas brocas, ou o aço cromo-vanádio nas chaves de parafusos ou de porcas. Mas atenção: no caso das ferramentas com entalhes, como os formões ou os alicates de corte lateral, uma simples versão em aço carbono pode manter uma melhor capacidade de corte do que os aços de ligas superior mais tenazes. É conhecido o caso das facas de aço inoxidável que cortam relativamente mal. Portanto, o material e o objetivo de utilização de uma ferramenta devem conjugar-se entre si.
Também é recomendável manter algum ceticismo relativamente às ferramentas apresentadas nos expositores junto à caixa ou vendidas em conjunto por um preço mais baixo.
As ferramentas com punhos de borracha podem estar contaminadas com HAP (hidrocarbonetos aromáticos policíclicos, ou PAK) ou substâncias amaciadoras prejudiciais à saúde.
Os HAP resultam dos resíduos industriais (por exemplo, da indústria do petróleoedo carvão); podem contaminar o material de fabrico e são considerados cancerígenos ou causadores de mutações genéticas. Como são lipossolúveis, estas substâncias nocivas penetram facilmente no 
organismo humano através da pele. Diversos armazéns de bricolage, bem como algumas cadeias retalhistas, tiveram de retirar do mercados conjuntos de ferramentas com punhos em borracha contaminada. A presença de HAP também só pode ser determinada através do nosso sentido de olfato. Se os punhos ou os revestimentos libertarem um cheiro intenso a borracha ou a produtos químicos, é melhor pô-los de parte. Um martelo com um bom cabo em madeira serve perfeitamente.

CHAVES DE PARAFUSOS
As chaves de parafusos, também designadas chaves de fendas, não podem faltar em nenhuma caixa de ferramentas. Para uma utilização normal são suficientes chaves de parafusos com lâmina plana em três tamanhos, bem como duas chaves defendas cruzadas Phillips e Pozidrive. No caso de parafusos especiais é necessário adquirir outros tipos de chaves de fendas.
Também convém ter em casa uma chave de fendas elétrica, que pode ser utilizada para testar rapidamente a presença de corrente elétrica. Mas para testar as tomadas de alimentação e os fios elétricos de forma fiável deve ser sempre usada uma chave buscapolos.

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MARTELOS
marteloNaturalmente, um martelo é presença obrigatória em todas as caixas de ferramentas. Existem pelo menos 50 tipos diferentes, adequados aos vários ramos da bricolage, desde o martelo de bate- chapa, ao martelo de ferreiro. Mas o clássico é o martelo de serralheiro, com uma cabeça de 300 ou 500 gramas. É adequado para pregar pregos e para trabalhos 
simples de cinzelagem. A superfície plana de contacto é designada por «face do martelo» e o lado oposto, em forma de garra, é conhecido por «orelha». Se pretender pregar pregos mais finos, como, por exemplo, no caso das molduras, é preferível utilizar um martelo mais leve.

Quando for comprar um martelo verifique a solidez da ligação entre a cabeça e o cabo, O cabo deverá estar bem fixado ao olho da cabeça do martelo por meio de uma cunha visível.

 

ALICATES

Atenaz clássica (alicate de corte, torquês) é um instrumento eficaz para arrancar e cortar pregos macios, sem têmpera. A aresta de corte deve ser temperada, para não deixar falhas nos pregos.
O alicate de corte lateral é utilizado sobretudo para cortar fios e cabos elétricos. Ao contrário do alicate de corte, neste caso, a aresta de corte está posicionada lateralmente.
O alicate combinado serve para segurar e agarrar peças parafusos ou porcas (por exemplo, para aparafusar e desaparafusar ganchos). Também dispõe de uma aresta de corte para cortar cabos e, na maior parte dos casos, apresenta um corta-arames de lado.

Tal como noutros alicates, como, por exemplo, os alicates de corte lateral, as pegas estão isoladas, o que não significa de forma alguma que possa realizar trabalhos elétricos com a corrente ligada.
O alicate de bicos ou de ajuste, com uma cabeça semelhante a uma pinça, é o mais indicado para realizar trabalhos mais delicados.
Para apertar ou desapertar os casquilhos dos sanitários deve utilizar-se uma chave de tubos, cuja amplitude pode ser regulada através de uma porca de ajuste. No caso de uniões aparafusadas de maiores dimensões, para servir de apoio ou instalar o aquecimento, é necessário um alicate de junta deslizante, que dispõe de uma articulação regulável para se ajustar às várias aberturas da chave. As maxilas são dentadas, o que reforça a aderência, mas em contrapartida deixa marcas visíveis nas superfícies de trabalho. Por essa razão, esta ferramenta não é indicada para trabalhos com superfícies cromadas.
O alicate de junta deslizante também é por vezes erradamente designado «chave de tubos», apesar das respetivas funções se distinguirem claramente.

 

DICA
Quem tiver falta de prática pode usar um alicate ou um SEGURADOR DE PREGOS em plastico para poupar o dedo polegar. Tambem é possivel manter os pregos no lugar com a ajuda de uma pequena tira de cartão.

 

CHAVES DE BOCAS
As chaves de bocas servem para apertar e desapertar parafusos roscados. Se forem usadas chaves desadequadas ou de má qualidade, os parafusos estragam-se mais depressa do que se desaparafusam.
As chaves fixas podem ser posicionadas de lado sobre a porca, mas só têm duas arestas de instalação para transmissão da força. As chaves de luneta com perfil hexagonal duplo permitem abranger todos os lados dos parafusos hexagonais, pelo que não escorregam, o que poupa a cabeça do parafuso. Desvantagem: as chaves de luneta requerem espaço suficiente para serem posicionadas sobre o parafuso a partir de cima. Existem também numa versão em S, para conseguirem chegar aos parafusos colocados numa posição mais profunda, e em versão combinada de chave de bocas e de luneta. Merecem ainda ser referidas as chaves de caixa.

Não foi só a partir da era dos móveis em kit para montar que se começou a usar parafusos com cabeça em copo com seis arestas interiores. Para serem aparafusados, deve ser usada uma chave Alien, em cotovelo, com perfil sextavado, um braço longo e um braço curto. A extremidade curta entra na cabeça do parafuso, e a extremidade mais comprida funciona como pega. Nos locais de difícil acesso, esta ferramenta também pode ser utilizada ao contrário. As chaves para para- fusos de cabeça em copo têm uma pega firme e poupam as mãos.

 

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SERRAS
O serrote com um comprimento da lâmina entre os 35 e os 70 centímetros é a serra manual clássica, mas um tanto rude para trabalhos de reparação. Para este efeito é sobretudo adequada uma serra de dentes finos mais pequena, que permite realizar recortes ou cortar com exatidão ripas de madeira.
A serra de traçar japonesa é uma variante interessante. Tem- se tornado cada vez mais popular e, tal como o nome sugere, para funcionar puxa-se em vez de se 
empurrar. No entanto, exige alguma adaptação e prática por parte do utilizador.

Para serrar perfis de metal é aconselhável utilizar uma serra de arco pequena, também designada por serra PUK. Consiste num arco de arame elástico simples. As lâminas da serra podem ser substituidas e a tensão ajustada.

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LIMAS E GROSAS

A lima é uma ferramenta manual clássica e indispensável, que não pode faltarem nenhuma caixa de ferramentas. Permite trabalhar quase todos os metais, madeira e plásticos. A nível doméstico, é usada sobretudo para alisar ou desbastar superfícies. As limas diferenciam-se pela suas forma, distribuição dos dentes dureza) e âmbito de aplicação. as limas com um comprimento de 150 milímetros ou menos são designadas limas agulha. 

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No processo de fabrico, os dentes das limas são inseridos na lâmina antes de endurecerem linhas paralelas ou cruzadas com uma determinada densidade (dureza).

 

A distribuição em linhas distingue as limas das grosas, onde os dentes são cravados com a forma de pontos. As grosas só devem ser usadas em trabalhos com madeira ou outros materiais macios se for necessário desbastar uma grande quantidade de material.

Para os trabalhos domésticos convém adquirir no mínimo uma lima meia-cana com 200 milímetros de comprimento e de dureza 1. Esta lima permite, por exemplo, alisar as extremidades de tubos por dentro e por fora. O grau Ode dureza corresponde a uma lima mais grossa, o grau 2 a uma lima mais fina.

 

No que diz respeito aos trabalhos com madeira, existe uma alternativa interessante às limas e grosas convencionais, asferramentas Surform da firma Americana Stanley. Trabalham com lâminas em grelha, que podem ser substituidas e tencionadas no respetivo punho. Estas ferramentas permitem obter um desbaste eficaz e uma superfície relativamente lisa. Podem ser descritas como sendo uma síntese entre lima, grosa e plaina. Estão disponíveis com lâminas planas e abauladas com as designações de: plaina combinada, plaina normal, plaina de bloco, lima normal, limatão redondo ou raspadeira. Devem preferir-se os punhos metálicos aos de plástico, uma vez que se deformam menos no decurso dos trabalhos.

 

FORMÕES
O formão ou cinzel é uma das ferramentas mais multifacetadas nos trabalhos com madeira. Com um cinzel afiado como uma navalha de barbear é possível realizar entalhes, ensambladuras ou talhar lascas finas de forma a poder encaixar peças de madeira perfeitamente entre si. Existem formões das mais diversas formas e larguras, inclusivamente semicirculares, na versão goiva. Um formão embotado é inútil, pelo que a aresta de corte deve ser amolada frequentemente e estar sempre protegida não só para evitar danos como eventuais ferimentos. O formão deve ser batido com um maço de madeira, e nunca com um martelo de metal.

 

LIXAS
No caso de grandes superfícies de trabalho, é certamente preferível recorrer a uma lixadeira elétrica, mas para lixar uma superfície pequena ou uma aresta bastam duas folhas ele papel de lixa ou fita abrasiva. A fita abrasiva suporta cargas mecânicas mais fortes e pode ser rasgada em tiras, o que é vantajoso quando se trata de lixar superfícies arredondadas. Os números no verso indicam a grossura do grão da lixa.
A medida é a unidade mesh, isto é, o número de malhas de uma peneira por polegada linear (25,4 mm). As lixas de papel húmidas de grão mais fino são usadas para lixar as superfícies pintadas. Um bloco decortiçaou borracha dura pressionado sobre o papel da lixa facilita o trabalho. Palha- d’aço fina também garante bons resultados e até permite remover resíduos de tinta dos vidros.

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UTENSÍLIOS PARA PINTURA


Para realizar trabalhos de pintura convém ter em casa dois ou três pincéis 
de tamanhos diferentes. Os pincéis redondos podem ser usados em trabalhos de pintura variados. As trinchas adequam-se sobretudo à pintura de superfícies de maiores dimensões. Para poder chegar melhor aos cantos pode utilizar um pincel curvo e pintar também com a aresta mais estreita.

Os pincéis mais caros são fabricados com cerdas da China presas num anel de aperto metálico.
Convém fazer antes uma passagem só com água.

 

Os rolos pequenos de esponja também são indicados para realizar trabalhos de pintura. Estes rolos permitem aplicar a tinta de forma especialmente homogénea. Para pintar paredes use rolos maiores. Neste caso, os rolos em pele de cordeiro são aconselháveis, desde que o fabricante da tinta não indique nada em contrário, pois este tipo de rolo permite espalhar melhor a tinta.

 

 

 

DISPOSITIVOS DE FIXAÇÃO
As peças a trabalhar devem ficar bem presas à mesa de trabalho, cavalete ou base de suporte, para que não possam escorregar ou até fugir ao controlo durante a realização dos trabalhos. Quem nunca

teve a experiência de querer apenas perfurar rapidamente uma chapa ou uma esquadria e repentinamente a peça escapar debaixo da broca?
O clássico grampo de fixação disponível em todos ostamanhos continuaafazerum bom trabalho sempre que é necessário fixar à mesa as peças quevamos perfurar ou serrar ou quando é preciso aplicar pressão para colar duas peças de madeira.
Para os mais apressados, existem grampos de fixação rápida, tencionados por pressão de uma alavanca, mas que nem sempre cumprem aquilo que prometem. No caso dos mais baratos, as capas de proteção depressa se perdem ou desaparecem, pelo que convém guardar na caixa de ferramentas alguns bocadinhos de fibra dura para as substituir. Existem ainda grampos de abrir ou fixar nos cantos dos caixilhos.
Um torno fixo também permite manter no lugar peças pequenas para brocar, substituindo a habitual prensa de aperto paralela, quando não está disponível um banco de trabalho permanente.

fixo

 

FERRAMENTAS DE MEDIÇÃO
Nenhuma caixa de ferramentas dispensa a presença de um metro de pedreiro (articulado), com articulações leves mas fixas.
Um nível de bolha de ar ajuda a colocar os objetos na posição horizontal ou vertical. Deve ser fabricado em madeira de teca ou num metal leve. O melhor é experimentar o nível antes de o comprar. Para tal, coloque-o sobre uma superfície plana e o mais horizontal possível e verifique a posição da bolha de ar. Depois faça o nível rodar 180 graus. Se a bolha mudarde posição, isso significa que o nível não está a funcionar corretamente.

Os níveis de bolha de ar com graduação facilitam a colocação de quadros nas paredes, pois permitem marcar simultaneamente a distância dos olhais de fixação.

 

metro 

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