Inovação passa também por automatismos

Imagine uma casa onde as paredes mudam de cor sem ser preciso pintá-las.
Uma casa onde as persianas sobem e descem consoante o calor e a radiação solar, de modo a que o espaço interior esteja sempre à temperatura ambiente.
Uma casa que pode ser actualizada tecnológícamente mudando apenas os seus controladores. Esta é a vertente mais tecnológica da”casa do futuro”, num projecto para os próximos dois anos em que serão desenvolvidos uma série de automatismos.
Luís Simões da Silva considera que esta é uma componente essencial. “Para nós termos urna casa de futuro ela tem que ser capaz de trazer de forma eficiente, tudo o que seja alta tecnologia de outros sectores. Achamos que isso é que nos vai dar uma vantagem competitiva e permitir evoluir bastante”. O coordenador do projecto refere, no entanto, que a complexidade do sector da construção, e da habitação em particular, é que não é possível optimizar coisas separadamente.

“Temos de optimizar e trabalhar o todo e para isso precisamos de ter sistemas de automação, controlo e monitorizaçao”.

Os exemplos são, assim, permitir que as persianas, em função da incidência solar directa ou indirecta, subam ou desçam sozinhas, algo que também fazemos em nossas casas, com a diferença de não estarmos lá o tempo todo e não estarmos sempre a pensar nisso. “Este é apenas um pequeno detalhe, mas que hoje em dia é solúvel”, afirma o investigador, acrescentando que isto “não funciona só por si, porque é preciso ter o modelo que sabe qual é o esquema óptimo para ter o melhor ambiente interior e isso implica um modelo que saiba prever e monitorizar a temperatura, a radiação e a ventilação, para depois ajustar tudo isso”.
Outra vertente que se pretende desenvolver está interligada com o conceito de ter um produto que acompanhe o cliente toda a vida. Luís Simões da Silva exemplifica com o caso dos telemóveis, que trocamos quando estão desactualizados. “Na casa isso não é assim, não podemos andar sempre a mudar de casa. Aqui há uma vantagem ao termos uma casa que pode evoluir tecnologicamente de forma fácil e que, por exemplo, tenho um sistema de paredes às quais é possível mudar a cor sem ser preciso pintar, ou um sistema que mude toda a rede de comunicações sem ter que fazer obras, apenas mudando os controladores para fazer o upgrade”.
O responsável considera que este é “um modelo de negócio mudo interessante”, comparando-o até com as impressoras. “O valor de venda das impressoras, à partida, é irrelevante, porque o negócio das empresas é vender depois os tinteiros e aqui existe o mesmo tipo de política de negócio”.

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